Diferenças de género na solidão em pessoas idosas, em Portugal: intersecção com idade e coabitação

Autores

  • Luís Filipe Roxo Departamento de Epidemiologia, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I.P; Comprehensive Health Research Centre (CHRC), Universidade NOVA de Lisboa https://orcid.org/0000-0001-6946-6501
  • Gabriela Soares Machado Departamento de Epidemiologia, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I.P.
  • Teresa Fernandes Departamento de Epidemiologia, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I.P.
  • Ana Cristina Garcia Departamento de Epidemiologia, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I.P. https://orcid.org/0009-0009-2565-4952
  • Verónica Gómez Departamento de Epidemiologia, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I.P. https://orcid.org/0000-0003-0485-0005

Resumo

A solidão e o isolamento social constituem determinantes da saúde e do bem-estar na população idosa, mas a forma como se manifestam de modo diferenciado por género permanece pouco explorada, em particular no contexto português. Este estudo analisa as diferenças de género no isolamento social e na solidão e na população idosa portuguesa, explorando a sua relação com a idade e a condição de viver sozinho. Desenvolveu-se um estudo observacional de base populacional, de desenho transversal. Através dos dados da 9.ª vaga do Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe (SHARE), recolhidos entre 2021 e 2022, relativos a participantes portugueses com 65 ou mais anos, foram estimados modelos de regressão logística ajustados para idade e coabitação para ausência de pessoas próximas, baixa conexão social e sentimento de solidão. Os resultados revelam uma dissociação entre as dimensões estrutural e subjetiva das relações sociais: os homens apresentam maior isolamento objetivo, nomeadamente ausência de pessoas próximas, enquanto as mulheres reportam sentimento de solidão de forma significativamente mais frequente, independentemente da idade e da situação de coabitação. As diferenças de género são mais pronunciadas nas idades menos avançadas e entre quem vive acompanhado; entre os que vivem sozinhos, os homens emergem como grupo de maior vulnerabilidade em múltiplas dimensões. Os resultados obtidos sublinham a necessidade de estratégias de promoção da saúde e prevenção do isolamento diferenciadas por género, informando políticas de envelhecimento ativo mais equitativas e eficazes, e abrem novos caminhos de investigação.

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Publicado

2026-07-30